sábado, 4 de novembro de 2017

Perfil – Adilson “Maguila” Rodrigues

Cartel
77 vitórias sendo 61ko
7 derrotas
1 empate
Adilson Rodrigues, o Maguila, é talvez
o nome mais popular da história do Boxe brasileiro,
ao menos até os dias de hoje,
mesmo que Éder Jofre seja, com sobras,
o maior boxeador do Brasil
em todos os tempos,
a impressão é que o nome Maguila
acaba sendo o mais popular
entre o público nacional.
Folclórico, o sergipano nascido em Aracaju
em 12 de Junho de 1958 é pouco discutido
quando o assunto é o que ele foi dentro do ringue.
Provavelmente poucos sabem, mas Maguila
chegou a ser um nome constante
entre os 10 melhores pesados do mundo
no final da década de 80,
classificado mundial e número 3 da Revista The Ring
na categoria no ano de 1988,
ficando na frente de lutadores como
Tony Tucker, Michael Dokes,
Buster Douglas entre outros.
O início
Adilson já mostrava  sinais de qualidade
em sua estréia como amador,
sendo campeão da Forja dos campeões
em 1980.
Mas foi em 1983 que sua real popularidade começou,
treinado por Ralph Zumbano,
Maguila conquistaria vitórias por nocaute
em todas as suas lutas no ano de sua estréia no profissional
e era campeão brasileiro,
vencendo Waldemar Paulino em 1 round.
Enfileirando mais nocautes contra adversários
das mais diversas nacionalidades,
Maguila chegava a 1985 invicto
com 14 vitórias, com 13 nocautes,
apenas incapaz de nocautear o gigante americano
Mike White, de 2 metros e 16 de envergadura,
que anteriormente havia nocauteado
ninguém menos que o grande algoz de Mike Tyson,
James “Buster” Douglas.


Walter Daniel Falconi e Andre van den Oetelaar

O argentino Walter Daniel Falconi
não era visto como uma grande ameaça para a maior promessa
do pugilismo nacional em muito tempo,
tampouco era um adversário com fama no mundo do boxe.
Mas ali começava uma das maiores rivalidades
do Boxe sul-americano.
Provocador antes da luta, Falconi,
que aparentava até ser mais forte fisicamente
do que Maguila, além de rápido de mãos,
colocaria um ritmo intenso desde o início:
“O argentino iniciou o combate demonstrando
muita agilidade e aproveitou os descuidos
na guarda de Maguila para,
num contra-golpe, acertá-lo logo no minuto final
do primeiro assalto.
(Folha de São Paulo, 1 de abril de 1985, Esporte, pag 5)
E em um confronto violento, Falconi
nocautearia Maguila em 3 rounds
dentro do Ginásio do Corinthians em São Paulo.
Aos 26 anos e em sua 15 luta como profissional,
Maguila era nocauteado.
A derrota era um banho de água fria em todos,
comentários pessimistas surgiam na mídia
e um clima de sonho quebrado ecoava entre o público.
Mais estaria por vir naquele ano de 1985,
e em novembro, em Sorocaba,
Adilson era derrotado novamente por nocaute.
Dessa vez para o “Martelo Holandês”
Andre van den Oetelaar.
Naquele ponto Maguila já tinha a fama
de ter um “queixo de vidro”,
algo repetido até por pessoas da Rede Bandeirantes
em suas transmissões.
A empresa que administrava a carreira de Maguila
então decidia mudar,
e Ralph Zumbano não mais seria o técnico de Maguila.
O ex-campeão mundial Miguel de Oliveira
era agora seu novo treinador.
As revanches se tornaram essenciais,
primordiais para salvar a carreira de Maguila
como futuro pugilista de destaque no mundo.
A contra Falconi viria primeiro.
Em um evento enorme com ampla cobertura da Bandeirantes,
em maio de 86, Maguila,
na cidade de São Paulo no Parque São Jorge,
com direitas precisas e melhor técnica defensiva,
seria muito elogiado juntamente
com Miguel de Oliveira no córner.
A vitória viria no sétimo round por nocaute.
Adilson Maguila Rodrigues,
campeão sul-americano dos Pesados
(título não em jogo no primeiro encontro entre os dois)
era novamente o destaque esportivo
por todo o país e recuperava pelo menos
parte do prestígio.
Dois meses depois era a vez do acerto de contas
com o holandês Oetelaar.
Mostrando um bom jab, com melhor jogo de pernas,
o brasileiro compensava a desvantagem
em peso e altura com sua maior velocidade.
No terceiro round Maguila
lançava sua sempre potente direita.
Com o público delirando, o peso pesado do Brasil
devolvia sua derrota de maneira sensacional
com um dos nocautes mais brutais de toda sua carreira.
Nível Internacional
Alcançar o nível internacional,
começar a enfrentar o que existe de melhor
na sua categoria é um sucesso por si só.
E nesses anos finais da década de 80
Maguila chegou a esse patamar.
Maguila fez 6 lutas em 1987,
um número altíssimo para os padrões de hoje.
Sendo uma delas contra o ex desafiante
ao título mundial, James “Quebra-ossos” Smith.
Smith era dono de uma pegada respeitável,
foi um dos desafiantes de Mike Tyson
que conseguiram sobreviver os 12 rounds,
e além disso havia encarado Larry Holmes
e dividido o quadrilátero com pesados da elite
como Frank Bruno, Tony Tubbs,
Tim Whiterspoon e Mike Weaver
(vencendo esses dois últimos por nocaute no primeiro round).
A luta Maguila vs Smith, seria muito contestada,
até os dias de hoje,
com controvérsias a respeito de um favorecimento
ao lutador da casa, no caso o brasileiro.
Mas a verdade é que Maguila teve seus momentos
e alguns deles muitos claros e contundentes.
Essa vitória colocava Maguila em evidência,
agora ele era mais um dos possíveis desafiantes
ao título mundial.
Adilson agora aparecia em matérias de jornais americanos,
e queria Mike Tyson:
“Eu estou pronto para Tyson, eu não sei se ele
está pronto para mim” 
Maguila (New Straits Time, 25 de Dezembro de 1987, pag 12)
Nunca um pesado brasileiro chegara
tão próximo do prêmio maior da categoria máxima.
A luta aparentemente chegou a ser discutida,
e próxima de acontecer mas a realidade
é que nunca aconteceu.
Maguila agora tinha como treinador
Angelo Dundee, membro do Hall da Fama
e ex-técnico de lendas como
Sugar Ray Leonard e Muhammad Ali.
O pesado continuou lutando no Brasil
e após vitórias importantes, como contra
Alfredo Evangelista (enfrentou Muhammad Ali)
no Rio de Janeiro e James Tillis
(primeiro lutador a fazer Tyson
ouvir uma decisão por pontos)
em Toledo no Paraná,
Maguila assinaria para enfrentar
ninguém menos que Evander Holyfield.
Em Lake Tahoe, Nevada, Maguila e Holyfield
fariam a luta principal televisionada ao vivo
para os Estados Unidos pelo canal Showtime.
Olhando para trás, não existe dúvida
de que até aquele ponto era o maior teste
da carreira de Maguila e um salto enorme
em nível para o brasileiro.
Mesmo com um vantagem de peso de cerca de 7 kilos,
Maguila terminou derrotado no segundo round
em um nocaute brutal,
e de certa forma surpreendente,
para Evander Holyfield que na época
sofria críticas por não ter a pegada de um peso-pesado.
Depois de uma volta ao Brasil para defender
seu cinturão sul-americano contra
o argentino Walter Masseroni,
Maguila estava novamente nos EUA,
para lutar contra George Foreman,
o pesado americano de 40 anos
que na sua volta ao boxe já havia conquistado
20 vitórias consecutivas em 3 anos.
Em um card especial, onde a luta principal era
Mike Tyson vs Henry Tillman,
Maguila tinha a chance de recolocar-se
entre os melhores da categoria
no cenário internacional
caso conquistasse uma vitória.
Após um primeiro round precavido,
onde Adilson se movimentava e soltava muitos jabs,
de modo até excessivo,
gastando energia desnecessariamente
além de demonstrar combinações desordenadas
quando soltava seus golpes,
ficava claro que Foreman, se não tinha uma vantagem de idade,
tinha de peso (quase 20 kgs a mais que o brasileiro)
e envergadura.
Utilizando um jab poderoso e encurralando Maguila aos poucos,
logo no segundo round
George preparava seu nocaute
usando dois jabs e uma direita para finalizar
com uma esquerda que Maguila jamais vira chegando.
Acertado em cheio no queixo, o brasileiro
caia nas cordas e o árbitro Carlos Padilla
terminava a luta no segundo assalto.
Maguila jamais lutaria nos Estados Unidos novamente,
continuaria vencendo e duas de suas maiores vitórias
aconteceriam em 1995 contra o britânico Johnny Nelson,
ex-campeão dos cruzadores
(Nelson que depois das derrotas para Maguila
voltou ao peso cruzador e nunca mais foi derrotado).
Muitas pessoas tanto naquela época como hoje
acabam por cometer uma injustiça com Maguila,
como que se ele não tivesse seus méritos,
muito próprios, em ser a sensação que foi
na TV brasileira e mídia esportiva em geral,
Maguila foi popular porque ele tinha um dom natural
para ser carismático.
E além disso era um peso pesado
que possuia muito poder de nocaute,
surgido em uma época carente de ídolos no boxe brasileiro,
e até no cenário esportivo nacional de uma maneira geral.
Adilson Maguila Rodrigues oficialmente
lutaria até o ano de 2000,
com uma derrota para Daniel Frank
em seu último combate, mas o brilho do final dos anos 80
está guardado na memória de muitos brasileiros
para sempre.
Atualmente Maguila sofre com problemas de saúde.

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