quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Enciclopédia do Rock - Robin Trower: um dos principais guitarristas do Rock e seu Blues psicodélico




Ao longo de sua longa e sinuosa carreira solo,
o guitarrista Robin Trower teve que suportar incontáveis comparações com Jimi Hendrix devido à sua habilidade de canalizar a psicodelia
e o Blues de Hendrix via Fender Stratocaster.
Nascido em 9/mar/1945, em Catford,
Inglaterra, Trower passou o início
dos anos 60 tocando em várias bandas londrinas,
a mais bem sucedida sendo
o grupo de R&B chamado
"The Paramounts", especializado em covers.
Mas foi em 1967, quando entrou para tocar no Procol Harum
que Trower conseguiu dar o salto.
A banda já tinha conseguido um gigantesco
e mundial sucesso com
"A Whiter Shade Of Pale",
porém com seu líder,
o cantor/pianista Gary Brooker,
não possuindo um banda de verdade por trás.
Brooker havia sido companheiro de Trower nos Paramounts e ofereceu a vaga de guitarrista para seu velho chapa.
O resultado foi que Trower participou
dos álbuns clássicos do Procol Harum
("Procol Harum", de 67; "Shine On Brightly",
de 68;
"A Salty Dog", de 69;
"Home", de 70 - que trouxe a popular canção
de Trower, "Whiskey Train"
e "Broken Barricades", de 71).
Mesmo com o Procol Harum tendo sido
a plataforma de lançamento de sua carreira, Trower percebeu que era um espaço limitado
para sua guitarra e eventualmente decidiu
por seguir solo.
Convocando o cantor/baixista James Dewar
e o baterista Reg Isidore
(que logo seria substituído por Bill Lordan),
Trower montou seu trio e gravou
um álbum de estreia,
"Twice Removed From Yesterday",
lançado em mar/73.
Não deu outra: foi a primeira evidência
de que o som da Fender Stratocaster
de Jimi Hendrix podia ser efetivamente
replicado e até mesmo refabricado.
Como Hendrix, Trower havia enfrentado
bons anos nas estradas participando
com músico num monte de bandas
e o Procol Harum,
a banda que lhe deu visibilidade,
tinha ênfase muito no som majestático
do órgão e piano, deixando as guitarras
num segundo plano.
Após deixar o Procol Harum,
Trower experimentou tocar com diferentes músicos e testou ideias por dois anos,
o que embocou no lançamento
de "Twice Removed From Yesterday",
um disco que mostrava as características
que fariam de Trower um guitar hero
e uma atração musical do primeiro time
dos anos 70.
Ele desenfatizou o fuzz, o feedback
e a distorção de Hendrix e colocou o reverb
de sua Stratocaster na posição
central e dominante.
Trower não era tão extravante
quanto Hendrix, nem tão raiz
quanto Eric Clapton,
nem tão imprevisível quanto Jeff Beck,
mas podia tocar limpo, enfatizando notas singulares e efetivas, colocando melodia
e criatividade no Blues elétrico.
A coisa funcionava bem demais nas faixas
mais lentas e sombrias como em "Daydream"
"I Can't Wait Much Longer",
nas quais seus solos se destacavam
por cuidadosa estrutura e melodia.
A intrigante canção título,
uma verdadeira pérola do Rock psicodélico
dos anos 70, demostrava que Trower
era ainda um ótimo compositor.
No entanto, as melhores características
de "Twice Removed..." se desabrochariam totalmente mesmo no álbum seguinte,
"Bridge Of Sighs", deixando para esta estreia provar a efetiva capacidade de Trower
de interpretar o som de Hendrix,
diferentemente de uma legião
de meros imitadores.
"Twice Removed..." nem deu sinal
nas paradas dos EUA, mas isto logo mudaria.
"Bridge Of Sighs", de abr/74,
soou estranhamente similar com as últimas gravações de Hendrix
(especialmente, seu "Electric Ladyland",
de 68) e capturou os fãs de Rock
que ainda se recuperavam
da morte do seu ídolo.
O resultado foi um sucesso avassalador
com o álbum entrado no nº. 7
das paradas norte-americanas.
Até hoje, é considerado seu álbum mais impressionante, representativo e consistente. Misturando óbvias influências hendrixianas com Blues e psicodelia, adicionando os vocais imensamente cheios de Soul de James Dewar,
Trower empurrou os limites
do conceito de "power trio"
para refrescantes novas águas.

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